Mulheres da Bíblia

Bispa Ingrid

 

Muitas mulheres nobres, importantes e sábias são mencionadas na Bíblia. Lemos a respeito da sabedoria e virtude de Abigail, em contraste com a atitude desprezível e ignóbil de seu marido, Nabal (1 Samuel 25:2–42). Davi a elogiou dizendo: “Bendito o Senhor, Deus de Israel, que, hoje, te enviou ao meu encontro. Bendita seja a tua prudência, e bendita sejas tu mesma, que hoje me tolheste de derramar sangue e de que por minha própria mão me vingasse” (vv. 32, 33).

 

As Escrituras também descrevem a pureza inocente de Tamar e a lascívia egoísta de seu irmão, Amom (2 Samuel 13:1–19). Como o contraste entre uma mulher boa e inteligente e um homem tolo e ímpio poderia ser melhor exposto? Quando Joabe precisou que alguém apelasse para o rei Davi em favor de Absalão, ele não escolheu um homem, mas uma mulher sábia de Tecoa (2 Samuel 14:1–20). Da mesma forma, Bate-Seba foi enviada até Natã para falar em favor de Salomão (1 Reis 1:11–13).

 

A influência das mulheres da Bíblia teve resultados bons e maus. Jeoseba mostrou-se corajosa escondendo o menino Joás, da linhagem real, da perversa Atalia, a qual tentou tirar a vida de todos os possíveis herdeiros que ameaçassem o seu governo no trono. Ela escondeu o pequeno Joás e a sua ama num dormitório até ele crescer o suficiente para reinar em Judá (2 Reis 11:1–3). Deus usou a rainha Ester, uma mulher de beleza e força, para livrar Israel da extinção tramada pelo perverso Hamã (Ester 4—8). A derrota de Sansão deu-se por conta de uma mulher (Juízes 14—16).

 

Salomão também foi afetado  desfavoravelmente por mulheres (1 Reis 11:1–4). Davi foi tentado pelo formoso corpo de Bate-Seba à lascívia, a cometer adultério e assassinato (2 Samuel 11:2–27). Jezabel ajudou a efetuar a ruína de Acabe (1 Reis 21:1–26). Uma mulher cujo nome é desconhecido salvou as vidas dos espias que Davi mandou a Jerusalém (2 Samuel 17:17–21). Outra mulher sábia e cujo nome não é mencionado impediu que Joabe destruísse uma cidade, ao persuadir seus habitantes a cortarem a cabeça de Seba,  atirando-a para Joabe, do lado de fora dos muros da cidade (2 Samuel 20:16–22). Assim, ela ajudou a pôr fim a uma rebelião contra Davi.

 

Muitas mulheres foram grandes servas de Deus servindo outras pessoas. Uma mulher alimentou Elias (1 Reis 17:9–15). Um mulher eminente providenciou comida e um quarto para Eliseu (2 Reis 4:8–10). Utilizando recursos próprios, várias mulheres supriram as necessidades de Jesus e dos apóstolos (Lucas 8:1–3; Mateus 27:55; Marcos 15:41); entre elas estavam Marta e Maria (Lucas 10:38–42; João 12:2). Uma samaritana cujo nome não é mencionado recebeu a grande lição sobre a verdadeira adoração no poço de Jacó, e levou uma cidade inteira a ouvir Jesus (João 4:21–42).

 

Uma mulher ungiu Jesus antes de Sua morte (Mateus 26:7–13). Durante a crucificação de Jesus (João 19:25; Lucas 23:49), várias mulheres — incluindo Sua mãe — ficaram corajosamente com Ele, enquanto Seus seguidores homens O abandonaram. Até mesmo os apóstolos escolhidos fugiram com medo de perder a vida quando a escolta armada prendeu Jesus (Mateus 26:56).

 

Mulheres nobres e cheias de virtude e dedicação, como as que acabamos de mencionar, são descritas em Provérbios 31:10–31. Mulheres com esse caráter destacaram-se como grandes servas de Deus. A grandeza delas estava no serviço prestado, e não no senhorio. Por causa do serviço que prestaram elas sobrepujaram a maioria das autoridades, dos reis, governadores e príncipes. Devem ser contadas entre os grandes (Mateus 20:25–28), na mesma categoria que João Batista (Mateus 11:11) e, em certa dimensão, à semelhança de Jesus (Mateus 20:28). Se mulheres e homens compreenderem o sentido do ensinamento de Jesus, reconhecerão que servir está, na verdade, um degrau acima, e não abaixo, de ser servido. O alvo de todos deve ser viver como um servo útil.

 

Ainda que, aos olhos de alguns, as mulheres da Bíblia não pareçam tão grandes quanto as autoridades e líderes descritos na Bíblia, a grandeza delas pode ser vista nos resultados de suas boas obras. Que a providência do Senhor nos abençoe com muitas outras grandes mulheres. Maria, mãe de Jesus, é exemplo de uma grande mulher. Ela se dispôs a dar de si mesma para servir humildemente a Deus. Quando o anjo anunciou que o corpo dela seria o instrumento pelo qual Cristo viria ao mundo, ela respondeu modestamente: “Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra” (Lucas 1:38). Durante a infância, Jesus obedeceu a essa mulher, Sua mãe: Ele estava sujeito à Maria e José. “E desceu com eles para Nazaré; e era-lhes submisso…” (Lucas 2:51). Ele não foi submisso a eles porque Suas percepções, habilidades e outros talentos eram inferiores aos deles. Jesus foi submisso a eles por causa da posição de autoridade que eles exerciam sobre Ele como Seus pais. Submissão não significa inferioridade.

 

Cerca de dezoito anos depois, Jesus assumiu Sua posição de autoridade e o papel de liderança com a aprovação de Sua mãe. Numa festa de casamento em Caná, Maria informou Jesus de que não tinham mais vinho. Ele respondeu: “Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora” (João 2:4). Então ela depositou a solução do problema nas mãos de Jesus, dizendo aos serventes da festa: “Fazei tudo o que ele vos disser” (João 2:5).

 

A partir daí, Jesus manteve Sua posição de autoridade no relacionamento com a mãe. Quando analisamos Maria como uma grande serva do Senhor, não podemos perder de vista o fato de que embora nosso Salvador tenha entrado no mundo através do corpo dela, o corpo de uma mulher (Gálatas 4:4), Ele assumiu a forma de um corpo de homem. Deus não é homem, mas Ele escolheu o corpo de um homem, o corpo de Jesus, para revelar-Se aos povos da terra (João 1:18) e providenciar o sacrifício pelos pecados do mundo (Hebreus 10:5, 10).

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