Solteiros – Sempre é tempo de ter esperança

Sylvia Nocetti

O Deus que conhece nossos sonhos sabe a hora certa de realizá-los

 

O sábio Salomão escreveu, em Eclesiastes 3.1, que “tudo tem seu tempo determinado…”. É muito difícil, porém, esperar por esse tempo, quando se trata de encontrar a pessoa preparada por Deus para ser nosso cônjuge. Vivemos sob a pressão do casamento. Se aos vinte e cinco anos, a jovem ainda não se casou, vai sentir-se oprimida pela cobrança – declarada ou disfarçada – dos que a cercam. Isso piora muito, se a jovem é convertida e faz parte de uma igreja. Na verdade, a mulher solteira é impiedosamente pressionada pela sociedade, especialmente nas comunidades pequenas; enquanto que a mulher casada é exaltada. Como conseqüência, as jovens começam a se desesperar quando o casamento não acontece e a idade vai passando. Os rapazes também sofrem alguma pressão e são cobrados se não se casarem até uns trinta anos.

 

Sim, é muito difícil esperar pelo tempo de Deus. É o próprio Salomão quem diz, também, que “a esperança que se adia faz adoecer o coração…” (Provérbios 13.12).

 

Conheço uma mulher que, como muitas, enfrentou toda a pressão e vergonha por estar solteira após os trinta anos. Porém, jamais perdeu a esperança e a confiança em Deus.

 

Desde muito jovem, já tocava órgão e piano na igreja, ensaiava corais, trabalhava com crianças. Mas não encontrava, nas igrejas, rapazes que quisessem assumir um compromisso. Namorou alguns, porém nada sério.

 

Aos vinte e três anos, encontrou um rapagão lindo, com ótimo emprego, família maravilhosa, que a amava muito. Enfim, tudo excelente. Bem… quase tudo. Este “príncipe encantado” não conhecia Jesus como seu Salvador e Senhor. Isto tornava praticamente impossível o relacionamento entre eles. A jovem resistiu muito, mas o amor venceu. Tudo ia de vento em popa: ficaram noivos, compraram apartamento etc. Mas, no momento de falar sobre a cerimônia do casamento, a família do rapaz começou a fazer exigências quando à religião, em termos irredutíveis a ponto da  jovem, com muita coragem, romper o noivado. Quatro anos haviam se passado. Quanto tempo perdido! Embora soubesse que Deus não aprova o jugo desigual ela tentara “converter” o noivo. A lição foi aprendida com muito sofrimento.

 

A vida precisava continuar e o Senhor Deus tinha um plano muito especial para ela. Tinha um tempo e um propósito bem definidos.

 

A jovem voltou a estudar e completou três cursos universitários. Nesse meio tempo, Deus precisou dela para cuidar de seu pai – que faleceu dois anos após o rompimento do noivado; de sua mãe e de sua irmã, que tiveram câncer e também faleceram. Foi um tempo de muita luta, dor, tristeza, solidão, desenganos e o estigma de “solteirona” permanecia. Apesar de tudo, aquela mulher ainda sonhava em se casar, por isso pedia a Deus que lhe desse um marido.

 

Certo dia, resolveu fazer a “Oração da Renúncia” (Aventuras na Oração, Catherine Marshall). Com muitas lágrimas, disse a Deus que daquele momento em diante estava renunciando seu desejo de se casar, que não iria mais pedir um marido e queria fazer tão somente a vontade dele.

 

Logo depois, foi convidada a participar de um Encontro de Solteiros, Viúvos e Descasados, realizado pela SEPAL. Resistiu muito, mas por insistência dos amigos, acabou indo. E lá conheceu um viúvo, que possuía três filhinhos. Ali mesmo, sentiu que ele era a pessoa por quem vinha esperando há tanto tempo! Começou a orar e rogar a Deus que não fizesse, de modo algum, a sua vontade, mas tão somente a dele. Um bom tempo se passou antes de receber o tão esperado telefonema e ser convidada a sair. E, sete meses depois, se casavam numa linda e singela cerimônia. Sim, sempre há tempo de ter esperança!

 

Aquela mulher assumiu os três filhinhos (9, 10 e 12 anos) de seu marido como seus. Deus os amou e os ama muito através dela. É certo que nem tudo são flores, há espinhos também. Mas o Espírito do Senhor sempre esteve, está e estará sobre eles e, por isso, são mais do que vencedores. Dezesseis anos já se passaram e posso afirmar, sem sombra de dúvida, que são muito felizes, pois aquela mulher é quem lhes conta esta história e assina este artigo.

 

Ser solteira (o) não é uma catástrofe mas um dom dado por Deus (1 Coríntios 7.7-9). O mais importante é crer que Deus nos ama e está interessado em nossa felicidade e realização. Alguns são chamados a servi-lo como solteiros, outros como casados. Aos que sentem o desejo de se casar, meu conselho é que entreguem esse sonho ao Senhor. Orem em sinceridade de coração, renunciando e colocando no altar esse desejo, abrindo mão mesmo. Não estou dizendo que essa oração fará com que Deus envie uma pessoa para você (pode até ser!) mas essa entrega certamente lhe trará paz.

 

O segredo, então? Esperar nele, pelo tempo dele, crendo que ele jamais tarda e jamais falha.

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