Porque as pessoas se casam?

Antes de iniciar uma discussão de como fazer o casamento funcionar, talvez devamos propor  uma pausa suficientemente prolongada para perguntar: Qual é o propósito do casamento? Que estamos tentando realizar por meio dele?

Se você fizesse a uma dúzia de amigos essas duas perguntas e pedisse que escrevessem em particular suas respostas, quantas opiniões diferentes você acha que receberia? Essas são algumas das que registrei tanto de solteiros quanto de casados: sexo, companheirismo, amor, prover um lar para os filhos, aceitação social, vantagem econômica e segurança.

Debates amplos e recentes sobre o significado do casamento colocaram essas questões em primeiro plano. Alguns defendem que é possível ter todas essas coisas sem se casar. Há décadas, a sociedade decidiu que não é preciso casar para ter relações sexuais.

Numa época em que metade dos lares é ocupa-[da por solteiros, segundo levantamento recente, ser casado não garante mais a aceitação social ou a vantagem econômica. “Viver juntos” está em alta. O que dizer do amor, da segurança, do companheirismo e de um lar para os filhos? Essas coisas não podem ser obtidas, até certo ponto, sem o casamento? Qual seria, então, a vantagem do matrimônio?

 

Para responder a essas perguntas de forma completa, precisamos examiná-las com o olhar da fé, buscando a sabedoria de Deus. Vemos na Bíblia um quadro muito diferente. A partir de Gênesis — o primeiro livro da Bíblia, no qual lemos a história da criação —, descobrimos que a idéia de casamento de Deus é a fusão de duas vidas da maneira mais profunda possível em uma nova unidade que não somente satisfará as pessoas envolvidas, com também servirá

aos propósitos de Deus do modo mais elevado.

 

Companheirismo e compromisso

 

O coração da humanidade clama por companhia. Somos criaturas sociais. O próprio Deus disse a respeito de Adão: “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2:18). Lembro que esta análise foi feita antes da queda da humanidade, e que esse homem já tinha a companhia

afetuosa e pessoal de Deus. Ainda assim, o Senhor disse: “Isso não basta.”

A solução de Deus à necessidade do homem foi criar a mulher (Gn 2:18). O termo hebraico usado aqui significa, literalmente, “face a face”. Isto é, Deus criou um ser com quem o homem poderia ter um relacionamento face a face. Isto revela o tipo de relação pessoal profunda

por meio da qual os dois são ligados em uma união inseparável que satisfaz os anseios mais profundos do coração humano. O casamento foi a resposta de Deus à necessidade mais profunda do ser humano: a união da vida de uma pessoa com outra. Esta unidade deve abranger todos os aspectos da existência. Não se trata apenas de um relacionamento físico. Nem é simplesmente dar e receber apoio emocional. Mais que isso, é a união total de duas vidas nos âmbitos intelectual, social, espiritual, emocional e físico. Esse tipo de união não pode existir sem o compromisso profundo e duradouro que Deus quer que acompanhe o casamento. O casamento não é um contrato para tornar aceitáveis as relações sexuais. Não é simplesmente uma instituição social para prover o cuidado dos filhos. É mais do que uma

clínica psicológica na qual obtemos o apoio emocional de que precisamos. É mais do que um meio de alcançar posição social ou segurança econômica. O propósito supremo do casamento não é alcançado nem mesmo quando ele é um veículo para o amor e o

companheirismo, por mais valiosos que sejam.

O propósito supremo do casamento é a união de dois indivíduos no nível mais profundo possível e em todas as áreas, o que, por sua vez, proporciona o maior sentimento de realização ao casal e, ao mesmo tempo, serve melhor aos propósitos de Deus para a vida

deles.

 

O que significa ser “um”?

É claro que só o fato de casar não garante a unidade de um casal. Há uma diferença entre “os dois serem unidos” e “os dois serem um”. Um velho pregador do interior costumava dizer: “Quando você amarra dois gatos pelo rabo e os pendura na cerca, conseguiu uni-los, mas a

unidade é uma coisa bem diferente”.

O melhor exemplo bíblico deste tipo de unidade talvez seja o próprio Deus. É interessante que a palavra usada para “um” em Gênesis 2:24, onde Deus diz: “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne” (itálico acrescentado), é o mesmo termo hebraico empregado para o próprio Deus em Deuteronômio 6:4, onde lemos: “Ouça, ó Israel: o SENHOR, o nosso Deus, é o único SENHOR” (itálico acrescentado).

A palavra “único” fala de uma unidade composta, em oposição à unidade absoluta. As Escrituras revelam Deus como Pai, Filho e Espírito, embora um só. Não temos três deuses, mas um Deus, trino em sua natureza. As ilustrações da Trindade são muitas, e todas

falham em algum ponto, mas vou usar uma bastante comum para ilustrar algumas das implicações desta unidade.

O triângulo pode ser colocado em qualquer posição e os nomes Pai, Filho e Espírito Santo podem ser movidos para qualquer posição. Não faz diferença, pois Deus é um. O que não podemos fazer é apagar um lado ou remover um dos nomes. Tudo deve ficar junto.

Deus é trino, Deus é um. Não podemos compreender plenamente esta declaração; mesmo assim, devemos falar de Deus desta maneira, porque foi assim que ele se revelou. Não saberíamos que Deus é trino se ele não tivesse se revelado dessa forma. Não poderíamos

saber que Deus é uma unidade não fosse o fato de ele ter revelado a si mesmo como tal.

Deus é unidade. Por outro lado, Deus é diversidade. Não podemos afirmar que não há distinções entre a Trindade. Em termos estritos, o Espírito Santo não morreu por nós na cruz. Essa foi uma obra do Filho. Como cristãos, não é o Pai que habita em nós, mas o Espírito. Os membros da Trindade possuem papéis diversos, e ainda assim há unidade. É inconcebível que os membros da Trindade viessem a operar como entidades separadas. A partir de Gênesis 1:26, onde Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem” (itálico acrescentado),


até Apocalipse 22:16-21, descobrimos a Trindade operando em conjunto como uma unidade composta.

Pai

Filho                     Espírito Santo

 

 

Quais são as implicações desta unidade divina no casamento? Eis um segundo triângulo:

Desta vez, o triângulo não pode ser inclinado para apoiar-se em outro lado. Deus deve permanecer no vértice de um casamento cristão. Podemos, porém, mudar a posição dos nomes marido e mulher, pois eles devem ser um. Em nossa era individualista, “unidade” não é um conceito dos mais cultivados. Todavia, a unidade conjugal não erradica a personalidade.

Pelo contrário, ela liberta as pessoas para expressarem sua própria diversidade e, ao mesmo tempo, experimentarem completa unidade com seu parceiro. Você é livre para ser tudo o que Deus pretende que seja, mesmo experimentando tudo o que Deus pretendeu quando uniu você no casamento. Nenhuma verdade poderia ser mais libertadora e satisfatória.

Quer estejam apenas começando sua nova vida como marido e mulher, quer sejam casados há muito tempo, se estão pavimentando o seu caminho em meio a desafios, espero que tenham o alvo do casamento claro na mente: unidade no sentido mais profundo possível

em todas as áreas da vida. Isto pode ser apenas um sonho para você, mas se tiver disposição para trabalhar nele, pode torná-lo realidade. Você pode imaginar como seria obter um diploma em Unidade Intelectual? Unidade Social? Unidade Espiritual? Unidade Física?

Não desista. É possível que esteja à beira de uma nova descoberta.

Deus


Marido                        Mulher

 

“Acontece que meu marido não está disposto a trabalhar comigo”, você pode retrucar. “Não posso fazer tudo sozinha.” É verdade, mas você pode fazer alguma coisa por conta própria. E essa alguma coisa pode ser usada por Deus para estimular a mudança em seu cônjuge.

 

Agora é com você

 

1. Examine bem o seu casamento. Devemos reconhecer as fraquezas antes de começar a aperfeiçoar essas áreas. Em uma folha separada, faça quatro colunas paralelas

com os seguintes títulos: Intelectual — Social — Físico — Espiritual.

Sob cada título, liste as características que acha que tem em comum com seu cônjuge. Em que área sua unidade é mais fraca? O que você poderia fazer para estimular o crescimento nessa área? O que você vai fazer a respeito?

2. Sugira que seu parceiro leia o capítulo, faça uma lista similar e responda às questões acima. Quando vocês dois estiverem se sentindo bem e abertos para o crescimento

pessoal, compartilhem os resultados e concordem sobre as atitudes que aumentarão a sua unidade. Concentrem-se em uma área de cada vez.

 

Extraído do livro “O casamento que você sempre quis”, de Gary Chapman. Editora Mundo Cristão.

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