Compreendendo melhor a adolescência e gerando jovens mais ajustáveis socialmente

Maria Bernadete

Adolescência é um momento de mudanças e transformações. Transformações físicas, hormonais, sociais e psicológicas. É normalmente uma época de certa instabilidade, desequilíbrio, hesitação, dúvidas e intranqüilidade. Culturalmente, os papéis nas várias fases da vida são definidos; na infância se brinca e na fase adulta se trabalha, mas na adolescência não é bem claro o que se espera do jovem. Essa definição de papéis é muito importante para gerar segurança e autoconfiança, minimizando os incômodos típicos da fase.

Há trabalhos mais recentes de pesquisa que apontam a adolescência não como um período de crise, mas como um período evolutivo de transição entre a infância e a idade adulta. O foco central da adolescência é a ênfase na busca da construção de uma nova identidade. Essa busca requer um mundo exterior estável, bem estruturado e previsível para o seu bom desenvolvimento. É um momento em que o jovem não consegue se ver correspondendo às expectativas dos adultos, principalmente dos pais. É importante, portanto, deixá-lo seguro em relação ao que se espera dele, quais são os limites e as condutas aceitáveis. As expectativas e limites devem ser firmes, explícitos, coerentes. Isso poderá contribuir para formar a estrutura externa de que o adolescente precisa, o que também alivia a tensão que os pais costumam experimentar durante esse período.

Os limites devem ser estabelecidos e os “nãos” justificados para gerar segurança no adolescente. Ao estabelecer os limites, é importante deixá-lo participar do processo, pois assim se sentirá responsável pelas decisões, tendo oportunidade de discutir e apresentar seu ponto de vista para chegar a um acordo. Os limites devem ser revistos e alterados à medida que o adolescente amadurece e se encontra pronto para novos desafios e responsabilidades. Os privilégios devem ser redefinidos da mesma forma que os limites.

O adulto precisa ser flexível e justo ao estabelecer limites juntamente com o adolescente, deve ser conseqüente e não mudar arbitrariamente suas expectativas. Um ambiente estável e previsível é adequado para que ele se desenvolva seguramente.

Uma característica muito presente na adolescência e que precisa ser considerada e compreendida pelos adultos é a oscilação emocional. O humor ora está lá em cima, ora cá em baixo. Os sonhos e as fantasias fazem parte constante da sua vida. Cabe aos adultos não frustrarem o entusiasmo e a euforia dele de imediato, com sua racionalidade e ansiedade em trazê-lo para a realidade. É prudente e necessário esperar que ele saia desse estágio para depois fazer as considerações reais dos fatos e levá-lo a uma reflexão sobre o assunto.

Devido à sua auto-estima baixa, que é natural com as mudanças, a maior parte das vezes o mundo se lhe apresenta pouco amistoso e bastante hostil, fazendo com que ele tenha uma imagem distorcida do que ele realmente é. Esse momento da sua vida pode ser angustiante. Cabe ao adulto reforçar suas qualidades, tanto físicas quanto comportamentais, elogiando o que ele faz de certo e aprovável. Conscientizá-lo do seu valor o beneficiará na construção da sua nova identidade.

Entender que o adolescente precisa da aceitação no grupo é fundamental para um convívio harmonioso. Nessa fase, ele necessita da aceitação e da confiança dos seus iguais. O preço é a conformidade com as regras: falar a mesma linguagem, vestir-se no mesmo estilo, compartilhar das mesmas crenças, gostos e valores. O adulto deve, através de um diálogo saudável e respeitoso, alertá-lo de que ele pode ser diferente, pode ser ele mesmo, pois tem seu próprio valor, e que as pessoas o apreciam como ele é.

Em suma, os adultos, em especial os pais, devem ter paciência para escutar, tolerância em relação às diferenças, compreensão de que o adolescente é emotivo, sumariamente susceptível, facilmente inflamável; devem estar à disposição para confiar nele. Dessa forma, o jovem se sentirá aceito, respeitado e amado, o que o fará mais feliz consigo mesmo e ajustável socialmente.

(Texto revisado por Priscila Costa Cherubino, professora de Português -o Colégio Cristão de BH)

Fonte: WWW.revistacristã.com.br
Maria Bernadete Freitas Cruz – Graduada em Pedagogia e Comunicação Social com especialização em Novas Tecnologias em Educação, Coordenadora de Projetos do Colégio Cristão de Belo Horizonte.

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