Adolescentite Aguda

Karen Dockrey

Como um espirro chega de repente, seu filho também pode ter, sem mais nem menos, um surto de adolescentite!

 

Você pode perguntar alguma coisa a seu filho adolescente, e receber em resposta “uma bela patada”. Ou então, fazer um simples comentário e se tornar objeto de sua fúria!

 

– De onde vêm essas explosões?

 

Ao certo, ninguém sabe, muito menos seu filho.Os prováveis culpados dessas  agressões verbais, sarcasmo excessivo, crises de choro, são os hormônios Testosterona (rapazes) e o Estrogênio (garotas), responsáveis em transformar o corpo de um adolescente em adulto. Outro candidato é a ênfase dada à popularidade e aprovação da turma – que pode levar um adolescente a sentir-se melhor, na medida em que se afirma como uma pessoa que intimida outra.

 

Mas seja o que for, detectar a causa pode ajudar a entender mas não a lidar com o turbilhão de emoções levantadas durante o “surto”. A  agressividade resultante de sentimentos como impotência, solidão e paixão amedrontam tanto pais quanto filhos.

 

– Sabe do que precisamos nessas horas?

 

– De uma estratégia!

 

Comece procurando manter o bom humor. Quando estiver sob “ataque” procure dizer de forma respeitosa, porém leve, algo como:

 

– Opa, opa, opa… Vamos parar e começar de novo. O que você disse mesmo?

 

Assim você demonstrará que notou algo fora de lugar, mas com possibilidade de reencaixe, ajudando, também, seu filho a não se irar (Efésios 4.26).

 

Ofereça a seu filho as seguintes ferramentas para ele mesmo lidar com seus inevitáveis ataques:

O poder da palavra

Encoraje seu adolescente a procurar identificar o objeto de sua raiva, tristeza ou alegria. E mesmo que você tenha uma resposta para o caso, não a entregue logo. Procure ajudá-lo a acalmar-se e, em seguida, compartilhe sua solução.

 

         Dica: se o seu filho se recusar a falar e quiser ficar sozinho, diga-lhe que se ele apenas disser três frases sobre o que está acontecendo, você promete sair dali e deixá-lo a sós. Isso fará com que ele “esfrie” um pouco a cabeça e evite entrar num túnel de isolamento.

O poder da decisão

Insista em que seu filho tenha boas maneiras, mesmo quando ele não estiver “a fim de”. Procure ser objetivo e direto: “Espere! Entendo que você queira socar seu irmãozinho por ele ter pisado em seu trabalho de escola, mas controle-se. O seu projeto estava no chão e ele ainda não tem o controle total das pernas. Foi um acidente. O que pode ser feito para que isso não aconteça novamente? Talvez possamos estabelecer uma regra: quando você estiver estudando na sala de jantar, ninguém com menos de 1 metro e meio poderá entrar lá. Que tal?”

         Dica: Comunique a seu adolescente que você não intenciona reprimir seus sentimentos, mas que ele deverá expressá-los sem agredir os outros. Se ele não agir assim e usar palavras chulas e/ou ofender as pessoas, perderá privilégios por cada expressão usada.

Falar sobre assuntos desagradáveis de forma educada é uma grande habilidade. Dessa forma, aliado ao clima que se tornará mais ameno, ocorrerá um treinamento para a vida que jamais será esquecido, além de ser extremamente útil para as áreas pessoal e profissional.

O poder de Deus

O poder para trabalhar com essas oscilações emocionais vem de Deus. Ninguém tem vontade de ser bondoso quando está de mau humor. Ninguém quer dar opinião quando não se sente seguro. Mas ambas as coisas são possíveis quando acessamos o poder sobrenatural de Deus. Reafirme a seu filho que Jesus Cristo também foi adolescente e que passou pelas experiências emocionais que ele está agora atravessando. Por esse motivo, mais do que ninguém ele pode ajudar a quem estiver passando por essa fase.

Este versículo é para acalentar nossos corações:

“Portanto, fiquemos firmes na fé que anunciamos, pois temos um Grande Sumo Sacerdote poderoso, Jesus Cristo, o Filho de Deus, o qual entrou na própria presença de Deus. O nosso Grande Sacerdote não é como aqueles que não são capazes de compreender as nossas fraquezas. Pelo contrário, temos um Grande Sumo Sacerdote que foi tentado do mesmo modo que nós, mas não pecou. Por isso tenhamos confiança e cheguemos perto do trono divino, onde está a graça de Deus. Ali receberemos misericórdia e encontraremos graça sempre que precisarmos de ajuda” (Hebreus 4.14-16).

Dica: Nunca use a espiritualidade como uma vara, para bater nos outros, mas sim como suporte de sustentação pessoal.

 

Karen Dockrey  – Escritora americana e mãe de dois filhos que já foram adolescentes. Artigo traduzido com a devida permissão, por Iara Vasconcellos,  publicado originalmente na Revista Christian Parenting Today, 1999.

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